Controle o que está ao seu alcance: Reduzindo riscos e vivendo melhor com o câncer de mama

Receber um diagnóstico de câncer de mama ou viver com o risco da doença traz muitas incertezas. É comum se perguntar: "O tratamento vai funcionar?", "O câncer vai voltar?" ou "Como vou me sentir?". Embora muitos aspectos da doença estejam fora do nosso controle, novas pesquisas destacam que existem ações práticas que você pode tomar para assumir o comando da sua saúde e qualidade de vida.

CÂNCER DE MAMA

Dra. Marina Bachmann Guimarães

1/26/20262 min read

Recentemente, especialistas reunidos no Simpósio de Câncer de Mama de 2025 discutiram fatores importantes que estão em nossas mãos: o consumo de álcool, o controle do peso e o gerenciamento da menopausa.

Confira o que a ciência diz e como você pode conversar com seu médico para criar um plano pessoal de cuidados.

1. Álcool e Câncer de Mama: O que você precisa saber

Muitas pessoas não sabem, mas o álcool está ligado ao aumento do risco de câncer de mama desde 1977. Estudos confirmam que beber pode alterar os níveis hormonais e causar danos ao DNA.

Existe uma quantidade segura? As pesquisas atuais indicam que não existe um nível totalmente seguro de consumo para a prevenção do câncer de mama. O risco aumenta conforme a quantidade consumida.

O tipo de bebida importa? Não. Seja vinho, cerveja ou destilados, qualquer tipo de álcool pode aumentar o risco.

E se eu parar de beber? Pesquisas sugerem que parar de consumir álcool pode reduzir o risco de desenvolver cânceres de mama do tipo "receptor de estrogênio positivo".

Dica: A honestidade é fundamental. Se você deseja reduzir o consumo, converse abertamente com sua equipe médica para receber orientação e apoio.

2. O Peso e a Saúde Hormonal

A obesidade está ligada a 13 tipos de câncer, incluindo o de mama. O excesso de peso pode afetar os níveis de insulina e hormônios, o que pode favorecer o crescimento do câncer, especialmente em mulheres na pós-menopausa com tumores dependentes de hormônios femininos.

As novidades da pesquisa trazem esperança e alertas importantes:

Medicamentos modernos: Dados iniciais mostram potencial para medicamentos agonistas de GLP-1 (como semaglutida/Ozempic) na redução do risco de câncer de mama causado pela obesidade.

Mutação BRCA: Para mulheres com mutações BRCA, manter um peso saudável e ser fisicamente ativa desde cedo na vida está associado a um menor risco de desenvolver câncer.

Não tenha receio de discutir o gerenciamento de peso com seu médico. Existem recursos de nutrição e exercícios específicos para quem enfrenta o câncer.

3. Gerenciando a Menopausa e a Qualidade de Vida

Para muitas mulheres, o tratamento do câncer de mama provoca uma menopausa abrupta ou precoce, com sintomas mais severos do que na menopausa natural. Isso inclui ondas de calor, alterações de humor e problemas de sono.

Além disso, cerca de 70% das sobreviventes enfrentam a síndrome geniturinária da menopausa, que causa secura vaginal, dor durante o sexo e sintomas urinários, afetando a intimidade e a autoimagem.

Opções de tratamento para discutir com seu médico:

Hidratantes e lubrificantes vaginais: Ajudam no alívio da secura, embora nem sempre sejam suficientes sozinhos. Sua composição deve ser discutida individualmente.

Medicamentos não hormonais: Existem novas opções para aliviar ondas de calor e suores noturnos.

Você não precisa enfrentar esses desafios sozinha. Ao entender a relação entre seus hábitos, seu corpo e o câncer, você pode construir, junto com sua equipe de saúde, um plano de ação que priorize tanto a redução de riscos quanto a sua qualidade de vida.

Este texto tem caráter informativo e não substitui o aconselhamento médico. Converse sempre com seu oncologista sobre suas dúvidas e sintomas.